sexta-feira, 17 de abril de 2009

Juventude `Peso Pesado'


Fast-food, falta de tempo, refrigerante, sedentarismo, doces, tecnologia, preguiça: essas podem ser algumas das causas da obesidade nos jovens e adolescentes de hoje. Uma pesquisa de pós-graduação sobre obesidade, liderada pela médica da família Suliane Mota, do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apontou que 15,6% dos jovens com idade entre 10 e 19 anos estão acima do peso, e 11,7% já podem se considerar obesos. Os números se aproximam daqueles observados nos Estados Unidos, um dos países com maior índice de obesidade entre jovens: 17%.

Os números da pesquisa brasileira foram obtidos com base em 260 alunos da Escola Madri, instituição pública municipal em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. De acordo com o fiscal do Conselho Regional de Nutricionistas do Espírito Santo, Leonardo Murad, existem vários fatores que contribuem para o aumento no número de jovens obesos.

“Da metade do século passado até a atualidade, houve um avanço tecnológico muito grande na indústria dos alimentos, seguido da entrada da mulher no mercado de trabalho, estresse e correria no cotidiano. Assim, uma enxurrada de alimentos industrializados ricos em gorduras e açúcares invadiu o mercado, e juntamente com um poderoso marketing, conquistou a população, principalmente os jovens que não tinham mais aquela estrutura familiar em que as mulheres eram limitadas a cuidar do lar e da alimentação. Soma-se a isso a facilidade de preparo da alimentação industrializada e o aparecimento maciço de redes de lanchonetes fast-foods (ambas ricas em nutrientes altamente calóricos): temos um quadro de obesidade coletiva aparecendo entre os nossos jovens”, disse Leonardo.

A obesidade na juventude deve ter uma atenção especial dos pais e dos próprios jovens. Não se trata apenas do fato de estar acima de seu peso ideal. A obesidade também envolve questões psicológicas e pode causar maiores problemas de saúde na vida adulta. Leonardo afirma que “problemas psicológicos (sensação de inferioridade) e hipertensão podem aparecer em jovens se o caso de obesidade for muito grave. O jovem muito acima do seu peso poderá se tornar um adulto obeso e ter problemas nas articulações, no sistema cardiovascular, precipitação do diabetes, e ainda uma incidência maior nos casos de AVC. É muito importante que os pais se tornem conscientes da obesidade infanto-juvenil para que seus filhos não sofram as consequências no futuro”.

Diante de tantas tentações tão gostosas e mais fáceis de preparar, muitos não resistem. E o que fazer para perder os quilinhos indesejados? Muitos, na ânsia de obter um resultado rápido, acabam optando pelo uso de remédios de controle de peso. Na opinião de Leonardo, “o primordial ao jovem acima do seu peso é procurar um profissional que o oriente na dieta balanceada, realizando uma reeducação alimentar para que aprenda a comer corretamente, escolhendo melhor seus alimentos, sem depender de remédios e até mesmo de cirurgias quando for adulto. Além de dieta balanceada e prescrita por um nutricionista, a prática de atividade física se faz muito importante nesse processo. É recomendado maior consumo de vegetais folhosos e outros legumes e frutas com poucas calorias, bem como a redução do consumo de doces, refrigerantes, balas, bombons, etc”.
Por: Thais Prueza

quinta-feira, 16 de abril de 2009

As crises de superprodução e suas consequências



Em decorrência da anarquia na produção capitalista, podemos perceber que os capitais nunca se direcionaram necessariamente para onde há maior concentração e necessidade, mas sim para onde há maior lucratividade. Entretanto, quando as forças produtivas capitalistas estavam se desenvolvendo em sentido de crescimento, alguns economistas no mundo formularam algumas leis: onde toda produção ou todo tipo de oferta criaria a sua própria demanda. Dentro deste contexto podemos afirmar que o capitalismo parecia imune às crises econômicas.

Mas esse modelo de capitalismo era o único modelo de produção em que existem entre as constatantes crises setoriais geradas pela superprodução, ou seja, a produção de um excedente invendável. A crise não é gerada pela falta de produtos, mas pela sua grande oferta, que ultrapassa a demanda. Produzem-se mais do que a capacidade das pessoas de comprarem.

Assim, desta maneira a burguesia consegue vencer algumas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las. Quando as forças produtivas, que são dinâmicas por sua própria natureza, avançam, elas entram em conflito com as relações de produção e de propriedade, que se petrificam muito rapidamente. A classe patronal vence as crises comerciais não fazendo avançar as relações de produção e de propriedade, mas fazendo recuar as forças produtivas.

Segundo as ideias de alguns pensadores do Manifesto do Partido Comunista, vive em guerra perpétua; primeiro, contra a aristocracia; depois, contra as frações da própria burguesia cujos interesses se encontram em conflito com os progressos da indústria; e sempre contra a burguesia dos países estrangeiros. Em todas essas lutas, vê-se forçada a apelar para o proletariado, reclamar seu concurso e arrastá-lo assim para o movimento político, de modo que a burguesia fornece aos proletários os elementos de sua própria educação política, isto é, armas contra ela própria.

Atingido o ponto máximo da curva econômica capitalista, o mercado satura. A oferta supera a demanda, os preços das mercadorias despencam e com eles despencam também os lucros. O capitalismo começa sua fase de queda livre. Temos, então, a recessão: a produção para, os trabalhadores perdem seus empregos, o que faz com que a demanda diminua ainda mais, o crédito se retrai e com ele os investimentos. Chegado a esse ponto, as relações de produção capitalista entravam a produção em vez de impulsioná-la.

Lançada por terra a teoria capitalista do subconsumismo, os economistas burgueses alegaram que as crises capitalistas não eram decorrentes da superprodução, mas do superinvestimento, sendo a superprodução apenas um efeito do superinvestimento e não do sobretrabalho. Achavam que podiam mudar as coisas mudando-lhes apenas os nomes. Como vimos acima, para os pensadores “a elevação dos salários desperta no trabalhador igual anseio de enriquecer que no capitalista”. Porém, só há duas formas normais de enriquecimento lícito: ou consumindo menos e/ou produzindo mais. O trabalhador só pode ‘enriquecer’ produzindo mais, já que, de acordo com Marx (filósofo), o patrão trata o operário como um cavalo, pagando-lhe apenas o salário suficiente para trabalhar e para dar continuidade à classe operária.

Concluímos, portanto, que o superinvestimento é o efeito da superprodução, não a sua causa. A burguesia tem sempre tentado evitar ou resolver as crises da economia capitalista na esfera da circulação, mas nenhuma dessas tentativas passa pela distribuição do excedente da produção aos produtores. Como sabemos as soluções para as crises de superprodução vão desde a destruição do excedente da produção, até a conquista de novos mercados. Contudo a burguesia tem evitado a falência da produção capitalista por meio do capital fictício. “Todas as nações cujo modo de produção é capitalista”, diz Marx, “são periodicamente tomadas por uma febril tentativa de fazer dinheiro sem a mediação do processo de produção”. Ou seja, as nações burguesas tentam enriquecer não atuando na esfera da produção, mas na esfera da circulação, através do capital fictício. Foi o que ocorreu na chamada bolha imobiliária americana.

Desta forma, os burgueses nunca terão sucesso em suas tentativas de solucionar as crises capitalistas na esfera da circulação, pois pode haver produção sem troca, mas não pode haver troca sem produção. Qualquer problema econômico tem sua origem na produção e sua solução só pode se encontrar, por isso mesmo, na esfera da produção, ou melhor, na esfera dos trabalhadores.

Por: Redação

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Trabalhador morreu afogado em serviço

O acidente

Aconteceu quando o empregado estava dentro de uma vala, em área de plantio da empresa açucareira, para consertar o vazamento na tubulação de água de uma rede que estava fora de operação há quatro meses, pois era tempo de entressafra. Ele ordenou a um auxiliar que fosse até os registros, a cerca de 150 metros de distância, e abrisse as válvulas para o esgotamento da água, para que o reparo pudesse ser feito. Não suportando a pressão, a válvula estourou, inundando rapidamente a vala e o trabalhador morreu afogado.

A Testemunha

De acordo com a testemunha que abriu a válvula, o empregado era o chefe, homem experiente, trabalhava na empresa há mais de dez anos, mas incorreu no erro de ficar dentro da vala quando havia orientação contrária da empresa, no sentido de que ninguém deveria ficar dentro da vala no momento da abertura da válvula. Contou também, que ele o ordenou a abrir as válvulas e em seguida, entrou na vala. Para a perícia, o acidente decorreu de um fenômeno denominado “golpe de aríete”, uma onda de pressão, que devido ao fechamento brusco de um registro, causou o rompimento da adutora, “enchendo rapidamente a vala onde o trabalhador estava”.

O Tribunal Regional do Trabalho

Entendeu que nenhum fato responsabilizava a empresa pelo acidente. Ela não induziu o empregado a erro, não houve negligência ou imperícia de sua parte e nem mesmo o trabalhador estava cumprindo ordens, determinação ou regulamento da empresa, capazes de gerar e justificar acidente de trabalho. Desta forma, não existiu nexo de causalidade entre o acidente e a conduta da empregadora. O Regional concluiu que o “único causador do acidente de trabalho foi o próprio reclamante”. Os herdeiros

Sustentaram que, de acordo com o laudo pericial, houve erro de procedimento, e que a decisão regional não levou em conta fatores como a teoria do risco, inerente à atividade da empresa. O relator, porém, observou que o recurso apresentava “vícios formais intransponíveis” para que pudesse ser aceito, as decisões apontadas como divergentes não eram válidas, como determina o artigo 896, alínea “a”, da CLT, e a alegada violação do artigo 927, parágrafo único, do Código Civil, não foi pré-questionado, como determina a Súmula 297 do TST. Ainda que pudessem transpor essas formalidades, “melhor sorte não socorreria à parte”, explicou o relator, porque, então, seria necessária a evidência de que a empresa desenvolvia atividade de “risco para os direitos de outrem”, o que não era o caso. Além de suas atividades não envolverem evidentes riscos para seus empregados, as tarefas do operador de moto bombas, próprias do empregado falecido, não eram “potencialmente ameaçadoras à sua integridade”, esclareceu. De forma que não há como condenar a empresa nem por responsabilidade objetiva (quando há atividade de risco) nem subjetiva (quando há culpa direta pelo ocorrido). ( RR-1192-2005-074-15-00.9) Com informações do TST

terça-feira, 14 de abril de 2009

Salário no Brasil subirá mais que média global, diz consultoria

Os salários no Brasil deverão ter um aumento nominal médio de 6,4% em 2009, maior do que o do ano passado e superior ao da média global, de 4,7%. Os índices não levam em conta a desvalorização da moeda provocada pela inflação.

Os dados são da consultoria ECA International, empresa com sedes em Londres, Nova York, Sydney e Hong Kong. A pesquisa Tendências Salariais, realizada em 53 países, estima que a média de reajuste no Brasil - sem descontar o valor da inflação - terá um leve aumento de 6,2% em 2008 para 6,4% em 2009.

No ranking geral, liderado pela Venezuela pelo segundo ano consecutivo, o Brasil ficou em 14º lugar, quatro posições acima em relação à listagem anterior. Na segunda colocação está a Argentina, seguida pela Índia.

Na avaliação da consultoria, tanto na Venezuela como na Argentina e no Brasil, os resultados são motivados, entre outros fatores, pela pressão inflacionária. "O Brasil parece estar lidando bem com os efeitos da crise financeira internacional. Como resultado, as empresas se mantiveram otimistas ao mesmo tempo em que as projeções de inflação continuaram robustas", diz um comunicado da ECA, que não descarta, no entanto, que as previsões para o Brasil poderão ser revistas até o fim do ano.

Já na Índia, os ganhos de 10,8% nos rendimentos de 2009 deverão ser motivados por uma "escassez de talentos", afirma a consultoria.

Com salários congelados, em último lugar no ranking está o Japão, que vem sendo fortemente abalado pela crise financeira global. Na avaliação da consultoria, cerca de metade das companhias japonesas pretendem congelar os salários este ano.

Segundo a ECA International, nos Estados Unidos, que ficaram em 36º lugar na lista, mantendo a colocação do ano passado, cerca de 40% das empresas não farão reajustes salariais até o fim do ano. Na média, os trabalhadores americanos terão reajustes de 2,8%, uma queda em relação aos 4% previstos pela consultoria em uma sondagem similar realizada em setembro do ano passado, pouco antes de a crise financeira se agravar.

No geral, os aumentos salariais devem sofrer uma redução de 6,2% em 2008 para 4,7% este ano, como resultado de cortes de gastos das empresas para enfrentar os efeitos da crise global. "A recessão levou muitas firmas a revisarem os reajustes salariais. Nossos dados mostram que, globalmente, as companhias diminuíram em mais de um terço os reajustes que previam oferecer em 2009", afirmou Lee Quane, um dos diretores da consultoria.

Ainda de acordo com a ECA International, mais de um quarto da empresas em todo o mundo pretendem congelar os salários este ano. (Fonte: Uol, na Fetraconspar)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

7 de abril: Dia Mundial da Saúde


Neste Dia Mundial da Saúde, 07 de abril, o UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, une-se à Organização Mundial da Saúde ao chamar a atenção para a segurança das instalações e a agilidade dos trabalhadores do setor saúde no tratamento de pessoas em situações de emergência.

Chamamos particular atenção para as necessidades das gestantes. Quando desastres são desencadeados, as gestantes temem por sua própria saúde e pela saúde de seus bebês, e elas precisam do apoio de profissionais de saúde qualificados.Em qualquer contexto, uma a cada cinco mulheres em idade fértil tem chance de estar grávida e 15% das gestantes passarão por complicações do parto com ameaça a suas vidas. Quando as instalações médicas são danificadas ou destruídas por desastres ou situações de conflito, as mulheres são forçadas a dar à luz sem as condições essenciais para um parto seguro.

A falta de apoio médico é frequentemente complicada por fatores adicionais de risco que ameaçam a saúde das mulheres e dos bebês. Tais riscos incluem trauma, má nutrição ou doenças, além da exposição à violência. As mulheres grávidas em situações de emergência podem sofrer com partos prematuros, abortos, bebês natimortos e os efeitos negativos da violência.

Junto com seus parceiros, o UNFPA responde a emergências enviando insumos e equipamentos para garantir partos higiênicos e seguros, e para apoiar intervenções médicas quando necessário. O UNFPA também disponibiliza treinamento para profissionais da área de saúde e parteiras, a fim de garantir que as mulheres recebam os cuidados dos quais precisam em todas as fases - gestação, parto e pós-parto. Também trabalhamos com a Organização Mundial da Saúde e outras instituições para reparar e reabastecer clínicas e alas hospitalares voltadas para a saúde materna.

Hoje, no Dia Mundial da Saúde, prestamos homenagem aos profissionais de saúde que respondem quando as emergências eclodem, e clamamos por maior atenção às necessidades das mulheres e a seu direito à saúde sexual e reprodutiva. (Envolverde/UNFPA Brasil)

terça-feira, 7 de abril de 2009

O “APAGÃO” trabalhista do Brasil


A Classe trabalhadora do país tem muito a agradecer ao legado deixado pelo Presidente Getúlio Vargas, e ao mesmo tempo em que usufrui dos direitos conquistados, tenta avançar rumo a melhores condições de trabalho buscando o diálogo social, o respeito aos direitos humanos e as normas internacionais. É um quadro legal, temos muito a comemorar, certo? Não. Estaríamos batendo palmas se não fosse a triste realidade que se abateu no país na última década, nesse diapasão temos por um lado, direitos positivados que consagram e asseguram o trabalhador, e por outro lado temos indústrias que demitem a olhos vistos preferindo terceirizar a produção. Esse é o “X” da questão, a forma como essa terceirização se estabeleceu no país.

Percebemos até aqui, um Brasil que enfrenta e sofre um “apagão” dos direitos trabalhistas. Cerca de 60% da mão-de-obra produtiva do país é informal (pessoas atuando sem carteira assinada), ou seja, existe o trabalho, a mão-de-obra, porém não existe uma empresa para contratá-la e tão pouco, o respeito aos direitos do trabalhador. A Consolidação das Leis do Trabalho é uma realidade sufocada pela enorme fração dos informais. A falta de planejamento do governo para promover o desenvolvimento econômico do país, principalmente na micro e pequena empresa, colaborou para que esse quadro se instalasse. A economia foi entregue à boa sorte da globalização e aos grandes grupos empresariais, que em muitos casos, estão mais preocupados com o desenvolvimento do próprio bolso, em detrimento do desenvolvimento social e no intuito de se esquivar da alta carga tributária e preservar a alta rentabilidade preferiram terceirizar a produção.

O governo brasileiro esqueceu que a burguesia sempre encontra solução para suas dificuldades, e o trabalhador sempre foi a medida balizadora da situação. Se o governo não age a empresa demite e impõe condições, a parte mais fraca é o trabalhador, que em troca do pão do dia-a-dia aceita trabalhar, assume riscos, e sem a proteção dos direitos laborais, se expõem a uma aventura desigual e injusta. O trabalhador produz e não tem férias, produz e não tem garantias previdenciárias, não tem a proteção das “maravilhosas” leis que muitos deram a vida em troca de sua consagração.

De que adiantaram tantas lutas? Se agora, para continuar sobrevivendo não temos acesso a tais benefícios e garantias? Pior senhores, é que, se já não bastassem a terceirização da produção no país, agora estamos diante de algo infinitamente mais grave: a terceirização da produção nos países asiáticos, ou seja, algo que já nos apresentava ruim conseguiu ficar ainda pior. No primeiro instante, ficamos sem o respaldo das leis trabalhistas e no segundo instante, perdemos o emprego. Quem leva a pior novamente? – Respondo: - Novamente os trabalhadores perdem. Perdendo até mesmo os empregos.

Vocês acham que a situação poderia piorar, mais ainda? Pasmem! Quando uma empresa transfere a produção para a China, ela diminui os custos fantasticamente. O raciocínio dessa empresa é que nunca teria a mesma lucratividade mantendo a produção no Brasil, então os funcionários são demitidos e em contra partida a empresa que não transferiu a produção para a China e optou em produzir no país, passa a sofrer com a concorrência desleal, pois os custos dos produtos fabricados no Brasil são bem maiores do que os custos dos produtos fabricados na China. Esses custos são repassados para os produtos, e no confronto do que vem da China bem baratinho, e o que é feito no Brasil bem mais caro, é natural que, os do Brasil fiquem encalhados, perdendo mercado para os produtos de fora. É aí que a situação piora ainda mais, pois a indústria nacional, que garantiu os empregos no país é obrigada a demitir, e muitas vezes em situações em que o passivo da empresa é bem maior do que o ativo.
Piorou não é? Pode ficar pior? – Respondo: - Pode! - Quando uma empresa fecha as portas nessas condições, os funcionários são abandonados ao léu, sem receber os salários e sem os direitos atendidos.

Como mulher, poderia estar aqui defendendo a igualdade de remuneração entre homens e mulheres por trabalho de idêntico valor e proteção contra atos discriminatórios que reduzem a liberdade sindical. É uma boa causa, algo que devemos lutar para alcançar, porém maior do que isso é perder o emprego e perder a proteção das leis laborais, ou perceber o barco indo ladeira abaixo. Quem deveria estar trabalhando para resolver essa questão, não enxerga o quadro crítico que se instalou no país, cujo maior desafio hoje, é fomentar a geração de empregos garantindo a qualificação em sintonia com a demanda dos setores produtivos do país e nas condições propícias para a obtenção de preço competitivo dos produtos.

Quando escrevi pela primeira vez aqui no Jornal Sindinotícias, defendi medidas de apoio às micro e pequenas empresas (Mais de 100 mil trabalhadores capixabas podem perder seus empregos nos próximos quatro meses, afirma diretora do Sinconfec). Neste momento fiz a previsão de grande número de desempregados que iriam se abater sobre o setor. Para aqueles têm acompanhado os noticiários, puderam perceber que a crise do emprego já se instalou, a economia deixou de crescer, as grandes empresas começaram a demitir. Escutamos o governo oferecer ajuda às grandes empresas e essas continuam demitindo. Não gosto de más notícias, porém não tem como esconder: o desemprego só começou, sendo que os próximos passos serão deflação e desemprego na micro e pequena empresa.

O mercado globalizou, fazendo-se necessária uma reforma drástica, facilitadora para a contratação de trabalhadores. A legislação precisa acompanhar os tempos atuais, o que não significa retirar direitos trabalhistas. Precisamos de ações envolvendo pesquisas e elaboração de novas normas, incluindo simplificações nas leis trabalhistas. Para isso, faz-se necessária uma reforma tributária atrelada às garantias do trabalhador e facilitadora para a contratação. A questão que se faz presente é incluir os excluídos e garantir leis diferentes para os desiguais, pois só assim é que eles serão inclusos.

A maior medida, de todas as que se fazem necessárias, é a diminuição da carga de impostos que hoje dificulta o crescimento das micro e pequenas empresas. São vários os mecanismos que podem fortalecer o papel da organização no contexto da globalização, a adequação de normas no combate ao trabalho escravo pela busca ao trabalho decente e favorecendo o desenvolvimento sustentável, lembrando ainda a importância de se fomentar a criação de “empregos verdes”, que impulsionam a gestão inteligente do meio ambiente.

Por: Soraia Fernandes (Colunista do Jornal Sindinotícias, formada em Administração e estudante de Direito)


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pecuária e desmatamento emitem mais gases estufa do que as cidades


Um estudo divulgado nessa semana pelo Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED, na sigla em inglês) demonstra que as cidades não emitem tantos gases de efeito estufa quanto se imaginava. O estudo mostra que, apesar da emissão de gases por carros e indústrias, as cidades lançam bem menos gases de efeito estufa na atmosfera do que a pecuária ou o desmatamento, por exemplo.

O estudo, que será lançado oficialmente em abril, analisou a emissão de CO2 em diversas cidades do mundo, comparando com as médias nacionais.

Duas cidades brasileiras entraram na pesquisa, São Paulo e Rio de Janeiro. Os resultados mostraram que a emissão de cada uma, por pessoa, é menor do que um terço da média do Brasil. De acordo com a pesquisa, parte desse resultado é porque a média de emissões brasileiras é muito elevada, graças às emissões do desmatamento da Amazônia e da atividade agropecuária.
O estudo também analisou as emissões de cidades da Europa, Ásia e América do Norte. As emissões de Londres, por exemplo, foram de 6,18 toneladas de carbono por pessoa, o que é 55% abaixo da média de todo o Reino Unido, de 11,19 toneladas por habitante.

Nova York emite apenas um terço da média nacional por pessoa dos Estados Unidos, e Barcelona, a metade da média espanhola. As exceções foram os grandes centros industriais chineses, Pequim e Xangai.

Para o estudo, as cidades não são as principais culpadas pelo aquecimento global. “Os verdadeiros culpados da mudança climática não são as cidades propriamente ditas, mas os estilos de vida com consumo elevado das pessoas que vivem em todos esses países ricos”, disse David Dodman, autor do relatório. (Envolverde/Amazônia.org.br)