quinta-feira, 16 de abril de 2009

As crises de superprodução e suas consequências



Em decorrência da anarquia na produção capitalista, podemos perceber que os capitais nunca se direcionaram necessariamente para onde há maior concentração e necessidade, mas sim para onde há maior lucratividade. Entretanto, quando as forças produtivas capitalistas estavam se desenvolvendo em sentido de crescimento, alguns economistas no mundo formularam algumas leis: onde toda produção ou todo tipo de oferta criaria a sua própria demanda. Dentro deste contexto podemos afirmar que o capitalismo parecia imune às crises econômicas.

Mas esse modelo de capitalismo era o único modelo de produção em que existem entre as constatantes crises setoriais geradas pela superprodução, ou seja, a produção de um excedente invendável. A crise não é gerada pela falta de produtos, mas pela sua grande oferta, que ultrapassa a demanda. Produzem-se mais do que a capacidade das pessoas de comprarem.

Assim, desta maneira a burguesia consegue vencer algumas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las. Quando as forças produtivas, que são dinâmicas por sua própria natureza, avançam, elas entram em conflito com as relações de produção e de propriedade, que se petrificam muito rapidamente. A classe patronal vence as crises comerciais não fazendo avançar as relações de produção e de propriedade, mas fazendo recuar as forças produtivas.

Segundo as ideias de alguns pensadores do Manifesto do Partido Comunista, vive em guerra perpétua; primeiro, contra a aristocracia; depois, contra as frações da própria burguesia cujos interesses se encontram em conflito com os progressos da indústria; e sempre contra a burguesia dos países estrangeiros. Em todas essas lutas, vê-se forçada a apelar para o proletariado, reclamar seu concurso e arrastá-lo assim para o movimento político, de modo que a burguesia fornece aos proletários os elementos de sua própria educação política, isto é, armas contra ela própria.

Atingido o ponto máximo da curva econômica capitalista, o mercado satura. A oferta supera a demanda, os preços das mercadorias despencam e com eles despencam também os lucros. O capitalismo começa sua fase de queda livre. Temos, então, a recessão: a produção para, os trabalhadores perdem seus empregos, o que faz com que a demanda diminua ainda mais, o crédito se retrai e com ele os investimentos. Chegado a esse ponto, as relações de produção capitalista entravam a produção em vez de impulsioná-la.

Lançada por terra a teoria capitalista do subconsumismo, os economistas burgueses alegaram que as crises capitalistas não eram decorrentes da superprodução, mas do superinvestimento, sendo a superprodução apenas um efeito do superinvestimento e não do sobretrabalho. Achavam que podiam mudar as coisas mudando-lhes apenas os nomes. Como vimos acima, para os pensadores “a elevação dos salários desperta no trabalhador igual anseio de enriquecer que no capitalista”. Porém, só há duas formas normais de enriquecimento lícito: ou consumindo menos e/ou produzindo mais. O trabalhador só pode ‘enriquecer’ produzindo mais, já que, de acordo com Marx (filósofo), o patrão trata o operário como um cavalo, pagando-lhe apenas o salário suficiente para trabalhar e para dar continuidade à classe operária.

Concluímos, portanto, que o superinvestimento é o efeito da superprodução, não a sua causa. A burguesia tem sempre tentado evitar ou resolver as crises da economia capitalista na esfera da circulação, mas nenhuma dessas tentativas passa pela distribuição do excedente da produção aos produtores. Como sabemos as soluções para as crises de superprodução vão desde a destruição do excedente da produção, até a conquista de novos mercados. Contudo a burguesia tem evitado a falência da produção capitalista por meio do capital fictício. “Todas as nações cujo modo de produção é capitalista”, diz Marx, “são periodicamente tomadas por uma febril tentativa de fazer dinheiro sem a mediação do processo de produção”. Ou seja, as nações burguesas tentam enriquecer não atuando na esfera da produção, mas na esfera da circulação, através do capital fictício. Foi o que ocorreu na chamada bolha imobiliária americana.

Desta forma, os burgueses nunca terão sucesso em suas tentativas de solucionar as crises capitalistas na esfera da circulação, pois pode haver produção sem troca, mas não pode haver troca sem produção. Qualquer problema econômico tem sua origem na produção e sua solução só pode se encontrar, por isso mesmo, na esfera da produção, ou melhor, na esfera dos trabalhadores.

Por: Redação

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